Entre 2000 e 2008, o percentual de municÃpios brasileiros que tinham rede geral de abastecimento de água em pelo menos um distrito aumentou de 97,9% para 99,4%; o manejo dos resÃduos sólidos (que inclui coleta e destinação final do lixo e limpeza pública) passou a existir em todos os municÃpios em 2008, frente a 99,4% deles em 2000;e os serviços de manejo de águas pluviais (drenagem urbana), que existiam em 78,6% dos municÃpios em 2000, chegaram a 94,5% em 2008. Nesses oito anos, o único serviço de saneamento que não chegou próximo à totalidade de municÃpios foi a coleta de esgoto por rede geral, que estava presente em 52,2% dos municÃpios em 2000 e passou a 55,2% em 2008. Entretanto, nos municÃpios em que o serviço existia, houve, no mesmo perÃodo, um aumento dos que registraram ampliação ou melhoria no sistema de esgotamento, de 58% para 79,9% do total, e dos domicÃlios atendidos, de 33,5% para 44%. Em 2008, 68,8% do esgoto coletado era tratado – percentual bastante superior aos 35,3% de 2000, embora menos de um terço dos municÃpios (28,5%) fizessem o tratamento, com acentuadas diferenças regionais nesse percentual, que alcançou 78,4% dos municÃpios no estado de São Paulo e 1,4% no Maranhão.
Em oito anos, o percentual de municÃpios que destinavam seus resÃduos a vazadouros a céu aberto caiu de 72,3% para 50,8%, enquanto os que utilizavam aterros sanitários cresceram de 17,3% para 27,7%. Ao mesmo tempo, o número de programas de coleta seletiva dobrou, passando de 451 em 2000 para 994 em 2008, concentrando-se, sobretudo, nas regiões Sul e Sudeste, onde, respectivamente, 46% e 32,4% dos municÃpios informaram ter coleta seletiva em todos os distritos. Esses são alguns dos destaques da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB) 2008, que investiga os serviços de abastecimento de água, esgotamento sanitário, manejo de águas pluviais e manejo de resÃduos sólidos, tendo como fonte de informação as entidades formais (com CNPJ) prestadoras desses serviços em todos os municÃpios brasileiros. Essas entidades englobam órgãos públicos ou privados, tais como autarquias, empresas públicas, sociedades de economia mista, consórcios públicos, empresas privadas, fundações, associações etc. A pesquisa foi realizada em convênio com o Ministério das Cidades e contou com a participação de pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e de técnicos especialistas da área.
De acordo com a PNSB 2008, em somente 17% dos municÃpios as prefeituras realizavam o abastecimento de água de forma exclusiva, ficando a prestação desse serviço, em maior medida, com outras entidades (58,2%) ou de forma combinada (24,7%). A situação se invertia quando se tratava do serviço de coleta de esgoto: em 55,6 % dos municÃpios, as prefeituras executavam o serviço de forma exclusiva, e 41,6% tinham a execução sob a responsabilidade de outras entidades. O manejo de águas pluviais era executado quase que exclusivamente pelas prefeituras municipais (98,6%). No manejo dos resÃduos sólidos a maior parte das prefeituras se incumbia exclusivamente da prestação dos serviços (59,1%), enquanto em 31,2% delas a forma de execução compreendia outras entidades.
Quanto à existência de instrumentos legais reguladores dos serviços de saneamento básico, constatou-se que o abastecimento de água era regulado em 32,5% dos municÃpios, o esgotamento sanitário, em 18,4%, e o manejo de águas pluviais, em 18%.
Em 2008, 5.531 (99,4%) dos 5.564 municÃpios brasileiros tinham abastecimento de água por rede geral, mesmo que apenas em parte do municÃpio. Entre 1989 e 2008 a cobertura desse serviço cresceu 3,5%, sendo que o maior avanço foi na região Norte (de 86,9% para 98,4% dos municÃpios). Desde 2000, o Sudeste é a única região com todos os municÃpios abastecidos por rede geral de água em pelo menos um distrito.
Em 33 municÃpios distribuÃdos em nove estados não havia rede geral de abastecimento de água, afetando cerca de 320 mil pessoas. Essa situação vem diminuindo sistematicamente no paÃs: em 1989, eram 180 municÃpios sem rede de água, e em 2000, 116. Dos 33 municÃpios sem rede de água em 2008, 21 se localizavam na região Nordeste, com destaque para os estados da ParaÃba (11 municÃpios) e Piauà (5), e 7 estavam na região Norte, com destaque para o estado de Rondônia (4 municÃpios).
Além desses 33 municÃpios sem rede geral de abastecimento de água em nenhum distrito, outras 794 cidades tinham ao menos um distrito em que também não havia rede, somando 827 municÃpios (14,9% do total) em que a água era fornecida por formas alternativas, como carros-pipas e poços particulares. O Nordeste tinha o maior percentual de municÃpios com outras formas de abastecimento (30,1%), sendo que os maiores percentuais entre os estados estavam no Piauà (58,3%), Ceará (35,9%) e Maranhão (30,4%).
6,6% dos municÃpios fornecem água sem tratamento
Em 2008, a maior parte dos municÃpios (87,2%) distribuÃa a água totalmente tratada. Em 6,2% dos municÃpios a água distribuÃda era apenas parcialmente tratada e em 6,6% a água não tinha nenhum tratamento. Em 2000, os municÃpios onde não se realizava nenhum tipo de tratamento na água representavam 18,1% do total. A região com maior percentual de municÃpios distribuindo água sem nenhum tratamento em 2008 era a Norte (20,8%), onde Pará (40%) e Amazonas (38,7%) tinham os maiores percentuais. Em seguida vinha o Nordeste (7,9%), com destaque para Piauà (24,3%) e Maranhão (21,8%).
Dos municÃpios que forneciam água sem tratamento, 99,7% tinham população de até 50 mil habitantes e densidade demográfica menor que 80 mil habitantes por quilômetro quadrado. A fluoretação da água para prevenção da cárie dental era realizada em 3.351 municÃpios (60,6% do total).
Em 1.296 municÃpios (23,4%) ocorreu racionamento de água em 2008, e as regiões com maior ocorrência foram Nordeste (40,5%) e Norte (24,9%). No Nordeste chama a atenção o conjunto de municÃpios em Pernambuco (77,3%), Ceará (48,9%) e Rio Grande do Norte (46,7%); no Norte, os de Amazonas (43,5) e Pará (41,4%). Os motivos mais apontados pelos municÃpios eram seca/estiagem (50,5%), insuficiência de água no manancial (39,7%), deficiência na produção (34,5%) e deficiência na distribuição (29,2%).
Menos de um terço dos municÃpios têm leis para proteção de mananciais
Em 1.749 municÃpios havia legislação municipal sobre proteção de mananciais (fontes de água utilizadas para abastecimento) em 2008. Dentre os 3.141 municÃpios (56,4% do total) que efetuam captação superficial de água, 83,2% informaram alguma proteção: isolamento com cerca (85,7%), preservação da vegetação (54,3%) e a proibição de despejos (44,6%). Menos da metade (45,1%) dos municÃpios brasileiros tinham legislação que exigia aprovação e implantação de sistema de abastecimento de água para loteamentos novos.
DomicÃlios atendidos por rede de água aumentam 30,8% entre 2000 e 2008
O número de domicÃlios abastecidos por rede geral de água cresceu 30,8%, de 34,6 milhões, em 2000, para 45,3 milhões, em 2008, segundo a PNSB. O maior crescimento foi no Nordeste (39,2%) e no Centro-Oeste (39,1%), e o menor no Norte (23,1%).
Os 5.531 municÃpios do paÃs com abastecimento de água por rede geral tinham mais de 40 milhões de ligações das quais 84,2% contavam com medidores. Nos últimos oito anos, cresceu 30,8% no paÃs o uso de hidrômetros, com destaque para o Norte (54,2%) e Centro-Oeste (53,1%). Os menores crescimentos foram no Sudeste (28,9%) e Nordeste (38,8%). No Sudeste, o baixo crescimento deveu-se aos avanços já obtidos: a região tem 92,5% das ligações de água com medidores.
Em 2008, em 94% dos municÃpios beneficiados por rede geral de distribuição, havia cobrança pelo serviço de abastecimento de água. A região Sul apresentava o menor percentual de municÃpios que não faziam cobrança (0,7%) e a Norte, o maior (13,6%).
A PNSB 2008 indica que 55,2% dos municÃpios brasileiros tinham serviço de esgotamento sanitário por rede coletora, três pontos percentuais acima do Ãndice verificado em 2000 (52,2%). Os melhores desempenhos foram encontrados nos estados de São Paulo (apenas 1 dos 645 municÃpios não tinha o serviço) e EspÃrito Santo (2 de 78 sem coleta de esgoto). A principal solução alternativa adotada pelos municÃpios que não possuÃam rede de coleta de esgoto sanitário, foi a construção de fossas sépticas, que aumentou 7,4% em relação ao levantamento de 2000.
Apenas o Sudeste registrava percentual elevado de municÃpios com rede coletora de esgoto em 2008 (95,1%). Nas outras quatro regiões, menos da metade dos municÃpios tinham o serviço: Nordeste (45,7%), Sul (39,7%), Centro-Oeste (28,3%) e Norte (13,4%). Apenas oito unidades da federação possuÃam mais da metade dos municÃpios com rede geral coletora, sendo os casos extremos São Paulo (99,8%) e Piauà (4,5%).
Entre 2000 e 2008, o avanço no percentual de municÃpios com rede coletora de esgoto foi considerável no Norte (de 7,1% em 2000 para 13,4% em 2008) e no Centro-Oeste (de 17,9% para 28,3%). Já nas regiões com maior número de municÃpios, as melhoras foram pouco significativas: Sudeste (de 92,9% em 2000 para 95,1% em 2008) e Sul (de 38,9% para 39,7%). No Nordeste, houve pouca variação no registro dos municÃpios cobertos pelo serviço (de 42,9% em 2000 para 45,7% em 2008).
A presença de rede geral coletora de esgoto era mais elevada nos municÃpios de maior população. Todos aqueles com mais de 500 mil habitantes possuÃam esse serviço, que também estava presente em mais de 90% dos municÃpios com população entre 100 mil e 500 mil habitantes. Com cobertura abaixo da média nacional estavam apenas os municÃpios com menos de 50 mil habitantes.
No conjunto do paÃs, entre os municÃpios que possuÃam o serviço, o número de domicÃlios com acesso à rede geral de esgotamento sanitário teve um avanço de 39,5% no perÃodo. As maiores altas foram registradas no Nordeste (64,7%) e no Norte (89,9%). O percentual de domicÃlios com acesso à rede geral de esgoto passou de 33,5% em 2000 para 44% em 2008. Apenas no Sudeste mais da metade dos domicÃlios (69,8%) tinham acesso à rede geral, seguido do Centro-Oeste (33,7%), Sul (30,2%), Nordeste (22,4%) e Norte (3,8%). As únicas unidades da federação com mais da metade dos domicÃlios atendidos eram Distrito Federal (86,3%), São Paulo (82,1%), e Minas Gerais (68,9%). Rio de Janeiro (49,2%) e Paraná (46,3%) ficavam próximos da marca de 50% e se situavam acima da média nacional (44%). Os demais estados tinham menos de um terço dos domicÃlios atendidos, ficando Amapá (3,5%), Pará (1,7%) e Rondônia (1,6%) com as menores coberturas.
Em 2008, 79,9% dos municÃpios ampliaram ou melhoraram o sistema de esgotamento
De 2000 para 2008 aumentou o percentual de municÃpios com serviço de coleta de esgoto sanitário que realizaram ampliações ou melhorias no sistema ou em parte(s) dele. Em 2008, 79,9% deles estavam ampliando ou melhorando o serviço, contra 58% em 2000. O avanço ocorreu em quase todas as regiões, com destaques para o Centro-Oeste, cuja taxa de melhorias ou ampliações passou de 50% dos municÃpios em 2000 para 78% em 2008; e para o Nordeste, de 47,6% para 73,1%. A exceção foi o Norte, cujo percentual de ampliações e melhorias se reduziu (de 53,1% para 48,3%). Os maiores percentuais foram encontrados no Sudeste (85,4%), Centro-Oeste (78%) e Sul (77,5%). Em 2008 a ampliação ou melhoria do sistema deu-se principalmente na rede coletora (88%) e nas ligações prediais (78,6%).
Menos de 1/3 dos municÃpios fazem tratamento de esgoto
Apenas 28,5% dos municÃpios brasileiros com esgotamento por rede geral fazia tratamento de esgoto (pelo menos um distrito do municÃpio tratava o esgoto coletado, mesmo que parte dele). Entre as regiões, o Sudeste liderava (48,4%), seguido do Centro-Oeste (25,3%), Sul (24,1%), Nordeste (19%) e Norte (7,6%). Com exceção do Distrito Federal, em apenas três unidades da federação mais da metade dos municÃpios tratavam seu esgoto: São Paulo (78,4%), EspÃrito Santo (69,2%) e Rio de Janeiro (58,7%). Os menores percentuais foram registrados em Sergipe (9,3%); Amazonas (4,8%); Pará (4,2%); Rondônia (3,8%); Piauà (2,2%) e Maranhão (1,4%).
Apesar de menos de um terço dos municÃpios terem tratamento de esgoto, o volume tratado representava 68,8% do total coletado no paÃs. Houve melhora considerável frente a 2000 e 1989, quando o percentual de tratamento era, respectivamente, de 35,3% e 19,9%. E em grandes produtores como são os municÃpios com mais de 1 milhão de habitantes, o percentual de esgoto tratado foi superior a 90%.
Os vazadouros a céu aberto, conhecidos como “lixõesâ€, ainda são o destino final dos resÃduos sólidos em 50,8% dos municÃpios brasileiros, mas esse quadro teve uma mudança significativa nos últimos 20 anos: em 1989, eles representavam o destino final de resÃduos sólidos em 88,2% dos municÃpios. As regiões Nordeste (89,3%) e Norte (85,5%) registraram as maiores proporções de municÃpios que destinavam seus resÃduos aos lixões, enquanto as regiões Sul (15,8%) e Sudeste (18,7%) apresentaram os menores percentuais. Paralelamente, houve uma expansão no destino dos resÃduos para os aterros sanitários, solução mais adequada, que passou de 17,3% dos municÃpios, em 2000, para 27,7%, em 2008.
Em todo o paÃs, aproximadamente 26,8% dos municÃpios que possuÃam serviço de manejo de resÃduos sólidos sabiam da presença de catadores nas unidades de disposição final de resÃduos sólidos. A maior quantidade estava nas regiões Centro-Oeste e Nordeste: 46% e 43%, respectivamente. Destacavam-se os municÃpios do Mato Grosso do Sul (57,7% sabiam da existência de catadores) e de Goiás (52,8%), na região Centro-Oeste, e, na região Nordeste, os municÃpios de Pernambuco (67%), Alagoas (64%) e Ceará (60%).
Número de programas de coleta seletiva aumentou de 58 para 994 em 20 anos
Os programas de coleta seletiva de resÃduos sólidos aumentaram de 58 identificados em 1989 para 451 em 2000 e alcançando o patamar de 994 em 2008. O avanço se deu, sobretudo, nas regiões Sul e Sudeste, onde, respectivamente, 46% e 32,4% dos municÃpios informaram ter programas de coleta seletiva que cobriam todo o municÃpio.
Os municÃpios com serviço de coleta seletiva separavam, prioritariamente, papel e/ou papelão, plástico, vidro e metal (materiais ferrosos e não ferrosos), sendo que os principais compradores desses materiais eram os comerciantes de recicláveis (53,9%), as indústrias recicladoras (19,4%), entidades beneficentes (12,1%) e outras entidades (18,3%).
A erosão (destruição e arrastamento do solo pela chuva) no perÃmetro urbano afetava, em 2008, 27,3% dos municÃpios brasileiros que faziam manejo de águas pluviais (5.256 no total). Entre os principais fatores indicados como causas desse problema, estavam as condições geológicas e morfológicas (47,8%) e as ocupações intensas e desordenadas do solo (46,4%).
Dos municÃpios que informaram ter manejo de águas pluviais, 48,7% declararam não ter tido problemas com inundações nos últimos cinco anos, nem pontos de estrangulamento no sistema de drenagem. Já 27,4% informaram condição exatamente oposta; deles, 60,7% disseram haver ocupação urbana em áreas inundáveis naturalmente por cursos d’água e 48,1% informaram que havia áreas urbanas irregulares em baixios naturalmente inundáveis. A ocupação irregular era o principal fator agravante de inundações e alagamentos nas regiões Norte (50%) e Nordeste (45,8%) e dividia a mesma percentagem (35,5%) com a obstrução de bueiros e vias na região Centro-Oeste. No Sul e no Sudeste, a situação se invertia, e a obstrução era o principal fator (54,5% e 50,3%, respectivamente).
Um em cada três municÃpios tem áreas de risco urbanas que demandam drenagem especial
Um grupo de 1.933 municÃpios (34,7% do total) relatou ter, em seu perÃmetro urbano, áreas de risco que demandam drenagem especial. Os municÃpios declararam que as áreas sem infraestrutura de drenagem (62,6%) e as áreas de baixios (depressões) sujeitas a inundações e/ou proliferação de transmissores de doenças (56,8%) eram os tipos mais encontrados e suscetÃveis a riscos no perÃmetro urbano. No Sudeste, percentual significativo (56%) era atribuÃdo à s áreas em taludes (planos inclinados que limitam aterros) e encostas sujeitas a deslizamentos, configuração geomorfológica peculiar aos estados desta região.
Fonte: IBGE – Comunicação Social, 20 ago 2010